Vida útil da bateria de íons de lítio estendida com ajuste químico simples

Pesquisadores da Universidade de Maryland descobriram um método simples para prolongar significativamente a vida útil das baterias de íons de lítio, uma tecnologia central que alimenta tudo, desde smartphones até veículos elétricos. A chave é um ajuste químico sutil que estimula a formação de uma camada protetora no cátodo da bateria – algo anteriormente considerado extremamente difícil.

O problema com baterias de íon de lítio

As baterias de íons de lítio degradam-se com o tempo devido à degradação química do eletrólito, o líquido que permite que os íons se movam entre os eletrodos. Atualmente, uma camada protetora se forma naturalmente no ânodo negativo, estabilizando-o. Mas o cátodo positivo, que opera em condições mais reativas, tradicionalmente sofre degradação mais rápida porque o eletrólito se decompõe antes que uma camada protetora estável possa se formar. Isso limita a longevidade e o desempenho da bateria.

A solução: decomposição eletrolítica guiada

A equipe, liderada por Chunsheng Wang, usou uma reação emprestada da química orgânica para “guiar” a quebra do eletrólito. Em vez de degradação aleatória, o eletrólito alterado se decompõe de maneira controlada, construindo uma camada protetora estável no cátodo. Esta camada protege o cátodo de futuras quebras, melhorando drasticamente a vida útil.

“Ao orientar como o eletrólito se decompõe no nível molecular, fomos capazes de controlar com precisão a camada protetora que se forma no cátodo”, explica Xiyue Zhang, pesquisador de pós-doutorado no projeto.

Desempenho ajustável: potência versus longevidade

Criticamente, esta abordagem não é uma solução única para todos. A camada resultante pode ser ajustada. Uma camada mais espessa significa maior proteção e maior vida útil, ideal para aplicações onde a estabilidade é fundamental. Uma camada mais fina permite reações eletroquímicas mais rápidas, maximizando a potência e a produção de energia. Esta flexibilidade significa que as baterias podem ser otimizadas para necessidades específicas.

Implicações no mundo real

Os especialistas acreditam que esse ajuste poderia ser facilmente integrado aos processos existentes de fabricação de baterias. Michel Armand, do CIC energiGUNE, um centro de investigação sobre armazenamento de energia em Espanha, enfatiza a utilização de “procedimentos químicos bem estabelecidos”, sugerindo que a segurança e a escalabilidade não devem ser grandes obstáculos.

O aumento exato na vida útil da bateria ainda precisa ser determinado através de mais testes, mas Wang está otimista. “É um ajuste relativamente simples nas baterias existentes”, afirma, sugerindo um caminho realista para a implementação no nível do consumidor, após avaliações de segurança completas.

Este ajuste químico representa um passo simples, mas potencialmente transformador, rumo a um armazenamento de energia mais durável e eficiente, abordando uma limitação importante da atual tecnologia de iões de lítio.