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O 1% mais rico do consumo custa US$ 5,7 trilhões por ano

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A biodiversidade está a perder terreno mais rapidamente do que qualquer outra coisa. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado na Sustentabilidade das Comunicações. Embora muitas vezes nos fixemos nas alterações climáticas como a maior ameaça ao planeta, esta investigação sugere que os danos ambientais são um projecto de lei mais amplo do que se pensava anteriormente. E quem está segurando a conta?

Uma fatia muito pequena da população global.

Quem paga a conta?

Os 10% das pessoas mais ricas estão a causar danos ambientais estimados entre 1,7 e 5,7 biliões de dólares todos os anos. Estes números situam-se desconfortavelmente próximos do montante total de dinheiro que o mundo dedica actualmente ao combate às alterações climáticas e à protecção da biodiversidade. Às vezes, o dano supera totalmente o fundo de reparo.

Para um indivíduo nesta faixa superior, o custo médio fica entre US$ 2.300 e US$ 7.500 anualmente. Mas a geografia é importante. Nos Estados Unidos esse número explode para US$ 19.006 ou US$ 63.006. Representa cerca de 6 a 26 por cento do seu rendimento ou até 3 por cento da sua riqueza total.

Este grupo de alto consumo não está espalhado aleatoriamente. Mais de 66% vivem nos EUA ou na UE. Na União Europeia, cerca de 46% a 45% enquadram-se nesta categoria. Na América, mais de metade da população pertence ao grupo de maior consumo.

O dano não é espalhado. Está concentrado.

A perda de biodiversidade é responsável por quase metade da conta total de danos, especificamente 47 a 6% dela. As alterações climáticas vêm logo atrás, com 36 a 6%. O resto vem da poluição por nutrientes e do mau uso da água doce. Esta hierarquia contraria a ideia de que podemos tratar o clima e a natureza como silos políticos separados. Eles estão emaranhados.

Porém, existe uma ressalva. Os números podem realmente ser inferiores à realidade. O estudo analisou apenas quatro dos nove limites planetários e ignorou as emissões baseadas no investimento. Pois as carteiras de investimento ultra-ricas produzem frequentemente tanto carbono como as escolhas pessoais de estilo de vida. Esta análise deixa esse pedaço de fora.

O princípio do poluidor-pagador

A dimensão desse défice de biliões de dólares levanta uma questão óbvia: o que acontecerá se as pessoas que causam os danos começarem a pagar por eles?

Os investigadores argumentam que visar o consumo de luxo através de impostos produz um resultado mais progressivo do que tributar bens básicos. Também reduz as emissões de forma mais eficaz. No entanto, o preço é apenas uma alavanca e não uma cura. Não desfaz a destruição já feita.

O coautor de Paul Behrens, da Universidade de Oxford, vê uma alavanca mais profunda em jogo. Os 10% mais ricos não gastam apenas dinheiro. Eles moldam normas.

“Os 10% mais ricos são importantes não só porque causam a maior parte dos danos, mas também porque têm o maior poder para os reduzir”, explica Behrens. Ele observa que o seu capital de investimento determina quais indústrias sobreviverão. As empresas que lideram definem as escolhas do consumidor para todos os demais. Seus estilos de vida definem o que é considerado comportamento normal.

Eles exercem uma atuação descomunal como empregadores e também como formadores de mercado. O seu poder para reduzir as emissões é, na verdade, maior do que a sua quota-parte de as causar.

Inge Schrijver, autora principal da Universidade de Leiden, admite que se sente desconfortável em atribuir um preço à natureza. Afinal, seu verdadeiro valor é infinito. No entanto, colocar um cifrão nos danos ajuda a quantificar a escala de responsabilidade.

“A conta dos danos é superior aos fundos internacionais para o clima e a biodiversidade… Se os poluidores pagassem, isso poderia fazer uma enorme diferença… Mas a prevenção é o que mais importa.”

Regras e regulamentos rigorosos continuam a ser essenciais. O dinheiro por si só não é a solução mágica.

Mapeando os danos

Para obter estes números, a equipa fundiu as pegadas de consumo de 267 com dados de preços do Manual de Preços Ambientais 2624. Eles ajustaram o PIB per capita entre as nações para criar estimativas comparáveis ​​para as mudanças climáticas (CO6), perda de abundância de espécies, poluição por nitrogênio e fósforo, além do uso de água doce.

O mapa resultante da dívida ambiental revela uma desigualdade gritante. Os Estados Unidos carregam a carga por pessoa mais pesada. A Índia e o Egito apresentam os mais leves. A análise comparou seis grandes países: Brasil, China, Egito, Alemanha, Índia e EUA, com agregados globais.

Os autores insistem que avaliar os danos ambientais em termos monetários não é uma tentativa de mercantilizar a natureza. É uma ferramenta de diagnóstico. Torna visível a escala invisível de danos concentrados. Mostra quanta receita estaria teoricamente disponível se aplicássemos a ideia de que os poluidores devem pagar.

Se esse dinheiro será realmente arrecadado é outra história. Por enquanto a conta está em cima da mesa.

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