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Por que a malária voltou com força total para a barragem da Amazônia

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A malária estava quase acabando. Durante quatro anos, esteve praticamente extinto nesta parte da Amazônia brasileira. Então o dinheiro acabou. A doença não simplesmente voltou; ele entrou rugindo.

Aconteceu em Altamira. Bem próximo ao Rio Xingu. Exatamente onde estavam construindo a hidrelétrica de Belo Monte, um daqueles grandes projetos hidrelétricos que mudam o mundo para sempre. Entre 2013 e 2017, os profissionais de saúde locais travaram uma guerra contra os insectos. Os casos anuais caíram de mais de 1.200 para menos de 60. Parecia uma vitória.

Então a campanha terminou.

Em poucos anos, as taxas de infecção dispararam para mais de 700 casos anualmente. Mas algo estava diferente sobre onde eles atingiram. As infecções não foram espalhadas aleatoriamente. Eles estavam agrupados em torno das comunidades rurais que pressionavam as margens da floresta perto do rio.

Por que isso aconteceu? Um novo estudo, publicado quinta-feira no GeoHealth, oferece a resposta. Os cientistas analisaram 15 anos de dados. Eles combinaram registros de vigilância da malária com imagens de satélite das árvores ao redor de Altamira. A velha teoria culpava o desmatamento. Limpar a terra para vacas ou troncos cria locais de reprodução. Isso faz sentido. Nesta região, as estradas foram abertas há décadas. Madeireiros e fazendeiros escavaram pedaços de terra. Um mosaico de clareiras pressionava o restante da floresta tropical.

Mas os dados contaram uma história diferente. A recuperação da malária não teve a ver com a quantidade de árvores perdidas.

Era sobre a linha.

Especificamente, a borda da floresta. O lugar onde as árvores intactas encontram terreno aberto. Os mosquitos adoram esse limite. Sombra do dossel? Sim. Poças de água parada iluminadas pelo sol nas clareiras? Verificar. Pessoas que trabalham ou moram nas proximidades para fornecer uma refeição de sangue? Definitivamente. Esta armadilha ecológica específica deu aos mosquitos tudo o que precisavam para prosperar.

“O que tornou Altamira atraente foi que ela nos deu algo raro. Quase um experimento natural”, disse Eloise Skinner. Ela é epidemiologista da Universidade da Austrália.

Skinner observou que esta experiência pode salvar os esforços de eliminação do Brasil. O país tem uma meta: erradicar a malária local até 2030.

A queda inicial nos casos não foi mágica. Foi logística. Quando milhares de trabalhadores da construção civil chegaram para o projeto de Belo Monte, os incorporadores e as autoridades de saúde perceberam que tinham um problema. Eles lançaram uma campanha intensiva. Pulverização interna com inseticidas. Distribuição de redes. Teste rápido para quem está com febre. Isto deteve o principal mosquito local, Nyssorhinchus darlingi.

Quebrar o ciclo de transmissão funcionou. Mesmo com o fluxo de mão de obra, os casos despencaram.

Então os trabalhadores foram embora. O financiamento acabou. O programa parou. A malária voltou.

Para entender o porquê, a equipe de pesquisa fundiu três conjuntos de dados.
1. Registos de casos de 150 centros de saúde.
2. Dados de satélite sobre temperatura, precipitação e cobertura florestal.
3. Tempos de viagem entre os focos de doença e as cidades mais próximas.

A borda da floresta foi o preditor mais forte. Para cada aumento de 1% ao longo do perímetro desse limite de desmatamento, os casos de malária aumentaram cerca de 0,7%. Adicione o fator humano? Se a população na periferia crescesse 1%, os casos subiriam 1,4%.

A distribuição mudou completamente. Antes da barragem, aglomerados de cidades em Altamira abrigavam a maior parte dos casos. Agora? Quase todos os 700 casos anuais ocorrem em áreas rurais remotas. O centro urbano permanece protegido. Por que? O diagnóstico é mais fácil lá. O tratamento é mais rápido.

“Quando o programa financiado foi encerrado”, explicou Skinner, “a malária regressou às comunidades mais difíceis de serem atingidas pelo sistema de saúde”.

Essa é a ironia brutal. Esses locais sofrem simultaneamente risco ecológico e negligência médica. Eles são a última milha para a medicina. No entanto, o padrão oferece esperança. O retorno não foi aleatório. Atingiu o mesmo tipo de terreno. Rural. Perto de árvores. Difícil de alcançar.

A previsibilidade é importante. Se você sabe para onde ele retorna, pode estar esperando.

O Brasil quer a eliminação até 2030 (espere, antes eles disseram 2035, o cronograma muda à medida que as metas ficam mais restritas). Independentemente da data, a mensagem de Altamira é contundente. Interromper o tratamento enquanto os condutores ambientais permanecem activos é uma garantia de recuperação. Você não pode desistir no meio do caminho.

Skinner coloca isso de forma simples.

“Como o ressurgimento não foi difuso, podemos prever onde a malária provavelmente retornará primeiro. Planejá-la desde o início permite que o dinheiro vá para onde realmente importa.”

Ou não. Se presumirmos que o sucesso significa que a batalha acabou, o limite continua perigoso.

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